Resumo: PEDAGOGIA DA AUTONOMIA Saberes necessários à prática educativa Paulo Freire.

25/07/2013 12:49

Observações Angélica M. Panarelli

 

       Freire inicia sua obra esclarecendo o alvo (docentes formados ou em formação), colocando que formar um (a) educando (a) é muito mais que treinar ou depositar conhecimentos como uma educação bancaria, mas que, para formação, necessitamos de ética, coerência viva e presente em nossa prática educativa, pois esta faz parte de nossa responsabilidade como agentes pedagógicos.  

      Fala da esperança e do otimismo necessário para mudanças e da necessidade de nunca se acomodar. Paulo Freire apresenta três temas básicos para construir a Pedagogia da Autonomia, que leva à formação para vida, são eles: a) não há docência sem discência; b) ensinar não é transferir conhecimento e; c) ensinar é uma especificidade humana. O tema central da obra é “a formação docente ao lado da reflexão sobre a prática educativa progressiva em favor da autonomia do ser dos educando”.

     O texto também aborda a riqueza do ato do ensinar não como algo conteudistico, mas, no entanto problematizador que traga uma consciência critica no educando, e não mais mecânica, ou memorizadora.

     A fim de superar o novo (educação) com base no velho e toda sua vasta teoria imbuída de uma pratica transformadora conforme Freire vai arvorando.

 Não há docência sem discência.

      Freire aponta que existem diferentes tipos de educadores: que se desenvolvem ao longo da jornada as quais são críticos, progressistas e conservadores, mas, apesar destas diferenças, todos necessitam de saberes diversificados.

      A necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa no sentido de respeito aos saberes do educando em junção do novo a ser adquirido, a fim de sair do senso comum, da superficialidade e criar autonomia e criatividade de ação no educando.

      Pois sem ela a teoria pode ir virando apenas discurso; e a prática ativismo e reprodução alienada de uma pedagogia opressora e não libertadora. Quando diz que não há docência sem discência, quer dizer que: quem ensina aprende o ensinar, e quem aprende ‘ensina o aprender’, sendo este posicionamento muito importante para o autor.    Ou seja, é dar sentido ético ao educando ao que se esteja aprendendo, pautado na leitura de sua realidade e cultura, sem perdas de possibilidades ir além com este educando em formação.

       Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Desse modo, deixa claro que o ensino não depende exclusivamente do docente, assim como aprendizagem não é algo apenas de educando, as duas atividades se explicam e se complementam os participantes são sujeitos e não objetos um do outro.

     Outra questão também é mostrar que a teoria deve ser coerente com a prática do docente, que passa a ser um modelo e influenciador de seus educando: não seria convincente falar para os educando que a violência faz mal à vida, pois a emoção é o que move as atitudes dos cidadãos. Várias vezes, o autor fala da “justa raiva” que tem um papel altamente formador na educação. Uma raiva que protesta contra injustiças, contra a deslealdade, contra a exploração e a violência. Podemos definir esta “justa raiva” como aquele desconforto que sentimos mediante a uma grande decepção ou uma grande traição inesperada. Ensinar exige rigorosidade, risco, flexibilização, ouvir o outro.

A grande tarefa do sujeito que pensa certo é inteligir, desafiar, o educando (...). (FREIRE, 1996, p.19).

     Ensinar exige reconhecimento e comprometimento com sua proposta de educação e entendimento com a cultura presente.

Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende, ensina ao aprender. Educador e educando devem negar a passividade, o “depósito” de conteúdos em um “recipiente vazio”. Educar é substantivamente formar. ( FREIRE, 1996, p. 20).

       Ensinar exige consciência do inacabado, onde tudo esta em constante mudança e construção a seu redor e do outro (educando), onde muitas vezes as tensões vem átona, mas precisa ser dosado com atos puramente éticos para melhorar o saber.

     De acordo com Paulo Freire, não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. O educador tem que ser pesquisador. Faz parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa. É preciso pesquisar para se conhecer o que ainda não se conhece, pois o ensino não se dá no isolamento, e nem em fazer do outro objeto, mas sujeito da historia.

      Há o dever de respeitar os saberes do educando e os das classes populares. É preciso discutir com educando a realidade concreta, do conhecimento trazendo assim a construção de uma consciência de liberdade e capacidade de se incluir e ser parte da sociedade com tomadas também de decisões conscientes, e não que outros venham a pensar por si.

     O educador, não deve ser na educação neutro, nem indiferente, mas aceitar o novo e rejeitar  qualquer forma de discriminação, mas pensar, refletir no que pode ali ser levado para construção e desconstrução de novos paradigmas ao educando.

     Pensar certo e fazer certo, tendo segurança na argumentação sabendo discordar do seu oponente sem ser contra ele ou ela, sem qualquer tipo de discriminação. Ao educador, segundo Freire cabe desafiar o educando a produzir sua compreensão do que vem sendo comunicado. E sobre sua pratica do fazer e pensar, criando possibilidades para construção do conhecimento do docente para o educando.

     Mas segundo Freire o docente é aquele que tem na sua formação a construção e consciência do inacabado, assim como as barreiras são difíceis para o cumprimento da tarefa histórica de mudar o mundo, sabe-se que os obstáculos não são eternos.

     O ato de ensinar para Freire exige respeito à autonomia do ser (educando). O respeito à autonomia e à dignidade de cada um, é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Saber que devo respeito a autonomia e a identidade do educando, exige de mim uma prática que seja em tudo coerente com este saber e  exige bom senso e humildade, em defesa dos direitos dos educando.

       Ensinar exige apreensão da realidade. A capacidade de aprender, não apenas para se adaptar, mas, sobretudo para transformar a realidade para nela intervir, recriando-a, fala da educabilidade a um nível distinto do nível do adestramento dos outros animais ou do cultivo das plantas. Ensinar exige também um ar de alegria e esperança porque isto faz parte do ser vivo para resistir aos obstáculos e criar convicções possíveis para intervir na realidade.

       Ensinar é uma especificidade humana, Freire mostra a necessidade de segurança, do conhecimento e da generosidade do educador para que tenha autoridade, competência e liberdade na condução de suas aulas, pois o caráter formador do espaço pedagógico é autenticado pelo clima de respeito existente.

     Este clima nasce de relações sérias, humildes, generosas, em que a autoridade docente e as liberdades dos educando se assumem eticamente. O ensino dos conteúdos implica diversas questões importantes como o ato de escutar para não oprimir o outro no caso, o educando, e ter na consciência que ambos podem discordar de posicionamentos o testemunho ético do docente.

     Mas ainda Freire coloca que a educação em si com o estado ela é ideológica, onde só prevalece uma minoria, enquanto que outros são engolidos, descartados. Ou são persuadidos com sua ideologia a fim de:

Anestesiar a mente confundir a curiosidade e distorcer a percepção dos fatos e acontecimentos. (FREIRE, 1996, p. 49).

    

Finaliza dizendo que a atividade docente é uma atividade que deveria ser alegre por natureza, com bases na formação científica séria e com a clareza política dos educadores.


Bibliografia

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.